arte digital feita por mim para enfrentar esse medo/nojo. acho o expecto patronum poderia ajudar.

aqui no recife, as baratas voam em pé. 🪳
a primeira vez que ouvi isso, não acreditei. afinal, tenho pavor de barata e se elas chegam, sou capaz de entregar o apartamento com tudo dentro, as chaves e ir embora.
esse medo já rendeu histórias pra contar, como a vez que caímos no riso eu, minha mãe e irmão, quando subi em cima do sofá e gritei que tinha uma barata perto do móvel da tv. estávamos vivendo a pandemia, por isso a casa cheia. pois mata! eu não, pirou? a barata fugiu e precisei ir para o meu quarto e sentar para me acalmar.
outra vez estava de chamego e senti o impacto de um besouro pesado. morávamos em fortaleza. me sacudi e levantei no susto. sentado, só conseguia apontar para a parede. foi aquilo! quando a visão foi se acostumando à penumbra, aquele corpo marrom nojento e asqueroso foi ficando mais nítido na parede. e sim, consigo descrever as baratas com vários adjetivos.
elas vivem centenas de milhares de anos, estão aí se reproduzindo a todo momento, fazendo ninhos pela rua, esgoto. tem uma toca delas na frente do meu prédio. às vezes passo e sinto o mau cheiro. cheiro do nojo. acho que tem um misto de medo também. algo irracional, que faz eu me esconder e fugir de um perigo.
outro dia estava na cozinha. do lugar que estava, conseguia ver a janela da sala. um ponto escuro se mexendo, vindo da rua. me aproximei, mas ainda de longe vi ela: a barata voando em pé. de tão grande e pesada. em pé.
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